Deixámos almoço quente para o IN

Um dia tive azar! Sentou-se à minha mesa um indivíduo branco que se vangloriou de ter pertencido às tropas do MPLA que tomaram Malange. Quando entraram em Malanje a tropa portuguesa  tinha acabado de abandonar o quartel. Encontrou comida quente, acabada de fazer, na messe de oficiais e o canalha aproveitou e comeu o que os portugueses tinham deixado. Julgo que era um dos comandantes das tropas invasoras e mais tarde veio a ser membro do governo do Agostinho Neto. Curiosamente, vivia agora na ex-metrópole e se calhar com uma choruda reforma paga pelo governo Português (?). Onde chegámos!...

Rui Moio


Esta não sabia. Só mesmo nós, o Batalhão da Paz, para deixarmos almoço quente para o inimigo...
Para nós, nos últimos dias, era ração de combate porque não havia reabastecimentos...

 

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Tuesday 15 June 2010 14:38 , em MALANGE - QUARTEL


"Andei atrás de Che Guevara em Angola"

Blogue de zala :Zala - Angola 1974 - BART 6323, 'Andei atrás de Che Guevara em Angola'

Correio da Manhã, 19 Abril 2009 - 00h00
A Minha Guerra: Amílcar Pires - Angola 1965-1967

 
"Andei atrás de Che Guevara em Angola"
Tarefa dolorosa. Eram os mecânicos como eu quem saia dos helicópteros para recolher os cadáveres dos nossos camaradas. Contei mais de 60.
Saí dos Pupilos do Exército e fui para França tirar o curso de rádio de helicópteros Alouette III. Depois, fui mobilizado para Angola e colocado na Base Aérea 9, em Luanda, integrado na Esquadra 94. Depressa esqueci algumas teorias, pois no mato a realidade era bem diferente e sujeita a muitas condicionantes. Nas evacuações, éramos nós - os mecânicos, no meu caso de rádio -, que saíamos com a maca para recolher os feridos e os mortos. Era uma tarefa dolorosa.
Foram vários os Alouettes furados por projécteis inimigos mas, por sorte ou perícia dos pilotos, nenhum foi abatido. Alguns caíram por avaria e outros porque queríamos socorrer as nossas tropas em sítios inacessíveis, muitos na mata angolana. Só de uma vez morreram seis camaradas, um dos quais me pediu, à última da hora, para ir no meu lugar.
Durante as missões, todos os tripulantes se uniam nas adversidades, inventávamos e com espírito de humor, mas com responsabilidade, dizíamos: 'Isto está preso por arames, mas voa!' Foram vários os casos em que os rotores das caudas partiram e as aeronaves caíram no chão como pedras. Uma vez, numa operação de resgate de vítimas, o helicóptero teve uma grave avaria e valeu-nos a perícia do piloto que conseguiu desligá-lo no ar. Acabamos por cair desamparados na mata. Felizmente, ninguém morreu.
No primeiro ano de comissão (1965/66), os militares mortos no Ultramar não tinham direito a transladação para a Metrópole e nós não os podíamos transportar. Infringindo as normas, arranjávamos maneira de os resgatar, mais que não fosse para lhes fazermos um funeral digno. Colocávamos os cadáveres nas aeronaves e depois dizíamos que os homens tinham morrido a bordo.
Como fazia parte da tripulação de helicópteros, vi a guerra do Ultramar do ar. Só descia à terra para resgatar os feridos e os mortos, uma missão talvez mais complicada do que combater com as forças inimigas no meio do mato. Tínhamos de contar os mortos e só pela minha mão passaram mais de 60. Foi terrível e hoje ainda acordo a meio da noite a sonhar com esses momentos trágicos. A maior parte dos corpos de homens caídos em combate foi levada para Nambuangongo, cujo cemitério depressa ficou lotado. Em 1966, restabelecendo a mais elementar justiça, o Estado passou a assegurar o seu transporte de regresso à Pátria.
A nossa principal actividade desenvolveu-se na zona dos Dembos. À medida que as operações militares decorriam, saíamos ao nascer do dia de Luanda e só no ar é que recebíamos instruções sobre o nosso destino. Ficávamos nos acampamentos do Exército, em melhores ou piores condições, mas todos juntos: oficiais, sargentos e cabos especialistas. Éramos quem levava os militares, sobretudo os pára-quedistas, para os teatros de operações. Para os colocar no mato, cada Alouette transportava cinco tropas, além do piloto e de um mecânico.
No interior do helicóptero assisti às cenas de desespero daqueles que tinham de saltar para a selva, alguns deles para a morte. Muitas das vezes eram empurrados porque não tinham coragem para se atirar. Alguns partiram pernas ao chegar ao chão, porque a vegetação era alta e o helicóptero não podia baixar mais. Quibala Norte, Bela Vista, Santa Eulália, Quibaxe, Quicabo, Piri, Zala, Úcua e a mítica Nambuangongo foram as zonas que mais nos serviram de base.
No terceiro trimestre de 1965 falou-se que Ernesto Che Guevara estava a combater na fronteira do Congo com Angola. Para nos certificarmos da veracidade da informação fomos para São Salvador do Congo. Participámos em várias operações na zona, por exemplo em Cuimba e Serra da Canda, mas nunca obtivemos qualquer confirmação. O mítico guerrilheiro refere no seu livro 'Congo' que estava lá nessa altura, mas a combater ao lado dos oponentes a Mobutu.
No terceiro semestre de 1966, com a ida da facção Chipenda para o Leste, a guerra agravou-se na zona. Disseram-nos que íamos para lá por oito dias, mas só fomos substituídos ao fim de 45. Estabelecemo-nos no recém-formado aeródromo-base no Cazombo e daqui partíamos para onde fosse necessário. Andámos pelos 'cus de Judas' - magistralmente descritos por António Lobo Antunes - estivemos em Lumbala e noutras terras perto da fronteira da Zâmbia. Nessa zona, os Fuzileiros e os Comandos foram os nossos principais companheiros. Levávamos os feridos para o Luso. A Esquadra 94 foi constituída em 1963 e continuou operacional até deixarmos Angola. Quem por lá passou jamais a esquecerá.

Monday 18 May 2009 19:06 , em ZALA - ACONTECIMENTOS


Piscina em Zala e Domingos Jonas

Blogue de zala :Zala - Angola 1974 - BART 6323, Piscina em Zala e Domingos Jonas

 fotos cortesia BART 3861
de José Figueiredo

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Domingos Jonas e a família

Monday 09 January 2012 09:44 , em ZALA - PAISAGENS


Marketing alentejano

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Wednesday 04 January 2012 15:55


A história da minha ida à Guerra

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Este é um relato referente a uma parcela da minha ( vossa ) vida militar
que julgo nunca ter sido abordada neste Blogue .

A história da minha ida à Guerra

Estava eu muito descançadinho , depois de feita a recruta e a especialidade , na minha “ casa “ em Tancos na EPE ( Escola Prática de Engenharia ) a dar de comer àquela          “ tropa “ toda , juntamente com mais 3 compinchas ou seja 4 Vagomestres (eram só baldas e os desenfianços eram de uma semana , pelo menos até que chega a convocatória para me apresentar em Évora e me integrar num Batalhão que se estava a formar no RAL 3 ( Regimento de Artilharia Ligeira nº3 ) o qual se destinava a embarcar para algures nas  “ Colónias “ de além mar .

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 Eu que pensava que tinha chegado à minha derradeira morada ao serviço da Nação , vejo-me despejado porta fora , como quem não pagou a renda de casa . Depois da épica viagem ( só esta dava para outra história ) deparo-me numa rua estreita com um portão de ferro pela frente e uma tasca por traz . Depois de ponderado o enigma , decidi-me pelo portão . Aberta a porta lá me apresentei e ao que vinha . Passadas as burocracias vou vendo caras novas que pasmadas também para mim olhavam . Em breve se fizeram amizades que ainda hoje perduram . Éramos o BART 6323 que se veio a saber tinha como destino Angola . Andavam no ar uns zum zuns que estava algo para acontecer , até que na madrugada de 25 de Abril de 1974 fomos arrancados dos beliches pela notícia de que decorria um golpe militar para derrube do regime vigente e toca a despachar porque já tínhamos sido indiciados como fieis ao regime caduco . Saímos para a rua armados até aos dentes com G3 , canhões de óbuses e sei lá que mais , fazendo o cerco e posse do Quartel General . SOMOS MILITARES DE ABRIL CARAGO ! ! ! Pensava-mos nós que dali já não saíria-mos e que África era um pesadelo passado . Depois de assentado o pó lá fomos bater com os costados a climas tropicais .

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Como esta é a história da minha ida para a Guerra o tema acaba aqui , com aquela inesquecível bafurada de ar quente , como quem põe a cabeça num forno , ao sair do avião . Segue-se a guerra propriamente dita , mas para quê relata-la novamente , se já outros camaradas o fizeram magistralmente neste Blogue .

 

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Continuação de Boas Festas para todos ,
e um 2012 com Saúde e Paz
José Vitor Rei Cardoso (ex-Vagomestre da CCS)

Tuesday 27 December 2011 20:55


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